
🧪 Exposta a tudo. Menos à informação.
Sou da geração do talco no rabo, da tinta com chumbo e das telhas de amianto.
E sim… estamos aqui. Vivos. Mas provavelmente contaminados com tudo o que havia disponível.
Há dias ouvi falar da proibição dos vernizes com TPO e vi a confusão geral: stocks inteiros perdidos, salões apanhados de surpresa, debates sobre saúde e prejuízo.
E não me pronuncio sobre a proibição em si, nem questiono a ciência. Mas não consegui evitar sorrir com uma certa ironia…
Porque eu cresci numa época em que ninguém proibia nada.
Só usava!
🍼 Talco perfumado, aplicado a balde, com amianto incluído.
🎨 Tintas com chumbo, a cobrir paredes, brinquedos e mobília.
🧱 Telhas de amianto nas escolas.
🚿 Tubagens de água de materiais duvidosos.
🦷 Obturações de mercúrio nos dentes.
💀 E no meu caso, um episódio que hoje seria filme de terror:
Com 6 ou 7 anos, partiu-se um termómetro de mercúrio no meu quarto. As bolinhas espalharam-se pelo chão e foram parar debaixo da cama. Eu, inocente e prestável, meti a cabeça debaixo da cama, empurrei as bolinhas com os dedos para um guardanapo… e deitei tudo no lixo.
Respirei os vapores. Toquei no metal. Fiquei ali a farejar aquilo tudo, como se estivesse a ajudar. Ninguém me avisou que aquilo era perigoso.
E aqui estou. Anos depois. Com o colagénio em dia, a tensão controlada, e um currículo de exposição tóxica digno de um laboratório.
Não escrevo isto para desvalorizar os alertas actuais. Bem pelo contrário.
Escrevo porque a minha geração não teve essa sorte. Fomos cobaias involuntárias de um mundo onde o que "cheirava bem" ou "brilhava" era sinónimo de cuidado.
Agora que sabemos mais, é nossa responsabilidade fazer melhor.
Mas a verdade? Para muitos da minha geração… o estrago já foi feito.
📌 A memória também serve para rir — mas também para não esquecer. Lembram-se de alguma substância ou produto "normal" na infância que hoje está banido, proibido ou classificado como cancerígeno?