
📌 Em Portugal, a construção divide-se em três mundos paralelos:
Habitação de luxo, com bomba de calor, VMC, domótica, estores elétricos, piscinas exteriores aquecidas, envidraçados que custam mais que um rim ao metro quadrado… Tudo o que há direito, porque o objetivo é vender caro. Muito caro.
Remodelações com ambição de Classe A, feitas em edifícios onde o passado pesa e o conforto real continua a ser o que sobra depois da pintura. O promotor quer o A, porque vale mais, mas quer o mínimo possível para lá chegar.
Construção a custos controlados, onde o cumprimento dos requisitos é feito à risca… mas à custa de áreas minúsculas, equipamentos low-cost e, sempre que possível, uma pré-instalação.
👉 E o que desapareceu?
A habitação "normal".
Casas com áreas decentes, conforto térmico real e um orçamento que não exija milagres. Chamem-lhe habitação acessível, intermédia, ou o que quiserem.
A realidade é esta:
- Cozinhas onde não cabe uma mesa.
- Quartos onde mal dá para abrir um roupeiro.
- Sistemas AVAC reduzidos ao mínimo.
- Pé-direito tão baixo que já não há espaço para condutas, betonilhas ou sequer canalizações.
Projetamos como se houvesse tetos falsos… mas depois descobrimos que temos 2,40 m entre lajes e um "projeto" de cozinha open space com exaustor no teto… que não vai a lado nenhum.
E sim, eu sei que isto não é o mundo da fantasia.
Também percebo os promotores e construtoras:
- Os custos disparam,
- A mão de obra escasseia,
- E todos tentam manter a margem num sector cada vez mais apertado.
Não há árvores das patacas. Toda a gente procura negócios viáveis, e muitas vezes isso significa cortar onde dói menos… ou onde ninguém vê.
E nós, técnicos, no meio disto tudo: a tentar equilibrar legislação, conforto e realidade económica.
👉 Conseguem imaginar um futuro com habitação… simplesmente normal?