
⏳ Se és projetista, já ouviste esta frase centenas de vezes.
Do cliente, do empreiteiro, do colega de equipa, do chefe.
E a resposta honesta — aquela que raramente damos — é: depende!
Depende de tanta coisa que não está nas nossas mãos que dar uma data é quase um acto de fé.
Depende do cliente que demora 3 semanas a responder a um email e depois quer o projeto para ontem.
Depende da câmara municipal que muda critérios de apreciação conforme o técnico que calha.
Depende da equipa de arquitetura que altera o projeto "só um bocadinho" quando já estás na fase final.
Depende das outras especialidades que ainda não entregaram o que precisas para avançar.
Pedem-me uma data. Mas não tenho bases em CAD. Ou tenho, mas faltam-me alçados. A caderneta predial nunca mais chega para eu saber o enquadramento regulamentar. E quando finalmente tenho tudo alinhado, chega um ofício da câmara a pedir esclarecimentos. Ou alguém se lembra que afinal aquele armário ali não fica bem e muda o projeto de arquitetura.
E depois há a cadeia de dependências que ninguém de fora entende: o AVAC precisa do SCIE. A eletricidade precisa do AVAC. A térmica precisa do AVAC e da estabilidade. Ninguém trabalha sozinho, mas toda a gente quer a sua data como se eu existisse num vácuo.
E enquanto isto, tens mais 20 ou 30 projetos em cima da mesa, todos com alguém a perguntar a mesma coisa: "E então, quando entrega?"
Planear prazos em engenharia de projeto não é uma questão de competência — é uma questão de gerir o imprevisível. E quem nunca projectou não faz ideia da quantidade de variáveis que estão fora do nosso controlo.
👇 E tu, como lidas com esta pressão?